A Reforma Tributária começa a revelar efeitos que vão muito além da indústria, do varejo ou das operações financeiras tradicionais.

Um dos setores que entrou no radar do empresariado é o transporte aéreo internacional.

A partir da fase de testes do novo modelo tributário, prevista para junho de 2026, o mercado passou a discutir a possibilidade de incidência de uma carga tributária que pode alcançar até 26% sobre voos internacionais; um cenário que rompe com o padrão historicamente adotado em diversos países.

Na prática, isso significa um aumento direto no custo da mobilidade corporativa. E o impacto tende a ser muito maior do que apenas o valor das passagens aéreas.

O aumento do custo internacional afeta toda a estratégia empresarial

Empresas que operam fora do Brasil ou que dependem de conexões internacionais para crescer podem enfrentar reflexos relevantes em diferentes áreas da operação.

Entre os principais impactos estão:

– Expansão comercial e prospecção
– A internacionalização exige circulação.
– Executivos, equipes comerciais, técnicos e representantes precisam viajar para negociar contratos, participar de feiras, visitar fornecedores e construir relações estratégicas.

Quando o custo da mobilidade sobe, o processo de expansão internacional se torna mais caro e mais complexo.

Logística e cadeia de suprimentos

Embora o debate esteja centrado nos voos internacionais, o efeito indireto alcança operações logísticas, especialmente em mercados que dependem de transporte aéreo de alto valor agregado.

Setores ligados à tecnologia, saúde, peças específicas, produtos perecíveis e operações urgentes podem sofrer pressão relevante sobre custos.

Fluxo de caixa e gestão tributária

O novo modelo tributário brasileiro traz uma lógica operacional diferente da atual.

A preocupação do empresariado não envolve apenas a alíquota nominal, mas principalmente os efeitos no fluxo financeiro da empresa.

Em um cenário de aumento de carga e necessidade de desembolso imediato, a gestão de crédito tributário e capital de giro passa a ter papel ainda mais estratégico.

O jurídico deixa de atuar apenas no contencioso

O cenário reforça uma mudança importante no ambiente empresarial brasileiro: o jurídico não pode mais atuar apenas depois que o problema aparece.

Empresas que desejam manter competitividade precisarão antecipar impactos regulatórios, revisar estruturas operacionais e adaptar o planejamento tributário antes que os efeitos financeiros se consolidem.

Isso inclui:
– análise de exposição tributária
– revisão de contratos internacionais
– estudo de impactos logísticos
– reorganização de operações internacionais
– projeções financeiras e tributárias
– revisão de modelos de expansão global

Internacionalizar sem previsibilidade ficou mais caro

O empresariado brasileiro vive um momento em que decisões estratégicas exigem leitura integrada entre operação, tributação e segurança jurídica.

O desafio já não é apenas acessar mercados internacionais. É conseguir operar neles com previsibilidade, eficiência e capacidade de adaptação diante de um ambiente regulatório em transformação.

Em um cenário global cada vez mais competitivo, antecipar riscos pode representar a diferença entre expansão sustentável e perda de margem operacional.